5 benefícios de adoptar um animal adulto

Robin 3 anos e Luke 5 meses adoptados por mim em Dezembro de 2016

Adoptar com responsabilidade é um acto de amor, assim simples e directo é esta a melhor forma para descrever a decisão de salvar uma vida que nunca conheceu uma casa ou que conheceu mas que foi completamente descartada porque já não combinava com a decoração lá em casa ou porque simplesmente deixou de ter a graça que tinha porque cresceu. 

Eu amo animais de coração e na UPPA todas as adopções me deixam sempre com o coração feliz mas confesso-vos que quando há um adulto que é adoptado eu fico com uma esperança redobrada no ser humano e lembro-me que uma das adopções que mais me marcou foi exactamente a do meu ex. afilhado Lord que já tinha sido adoptado e devolvido, que é um cão maravilhoso com uma energia incrível e sem ninguém prever alguém se apaixonou por ele, sem olhar para a idade ou para o facto de não ser propriamente o Brad Pitt dos cães e lhe deu a vida que ele merece. 

Por estar directamente ligada à UPPA há quase 4 anos acabo por conhecer todos os cães e muitas vezes quando lá vou e vejo patudos incríveis, com personalidades doces, meigas e sempre com aquele olhar carinhoso à nossa espera não entendo como é que muitos deles continuam por lá só porque alguém acha que já passou o prazo de validade. 

As desculpas para não se adoptar adultos são muitas, há quem diga que bebés são mais fáceis de educar, que vão gostar mais de vocês, que é mais fácil criar ligação e no caso dos gatos há pessoas a acharem que é mais fácil moldar a personalidade, o que acaba por me dar vontade de rir porque quem acha que consegue moldar a personalidade de um gato ou de um cão devia adoptar um tamagochi. 

Eu adoptei um adulto (com FIV) e um bebé, uma espécie de dupla Ying/Yang que me tem ensinado muito nesta coisa de ter dois opostos com idades tão diferentes numa casa e por isso decidi partilhar com vocês 5 razões para considerarem a adopção de um animal adulto.


Buzz 5 anos para adopção na UPPA - Sabe mais aqui

Rosita 2 anos para adopção na Bigodes Fofos - Sabe mais aqui

1 - É mais fácil de conhecer a personalidade

Uma das coisas que as pessoas mais se preocupam é com a personalidade do animal. Querem um calminho, ou animado, ou que seja simpático ou brincalhão, enfim há sempre uma lista de requisitos e depois decidem escolher bebés.

Ora os bebés naturalmente são brincalhões e simpáticos mas é completamente impossível prever como serão em adultos porque tal como nós seres humanos só se começa a perceber a nossa personalidade mais tarde. Imaginem o cenário de um bebé que durante muitos meses chora muito sempre que vê estranhos isso significa que quando for adulto será antipático?

Com os animais é a mesma coisa e o que me dói muito é assistir a devoluções porque o bichinho afinal tem demasiada energia e queriam um animal mais calmo. As pessoas precisam de perceber que ao adoptar um bebé podemos tentar perceber por alguns comportamentos como é que ele será em adulto mas é impossível garantir que será mesmo assim porque ainda se está a formar entendem.

Portanto a melhor forma de se garantir que se escolhe um animal que corresponde ao nosso ritmo de vida é mesmo optar por um adulto que já estando com a sua personalidade formada permite que numa associação seja mais fácil de encaminhar o animal certo para a família certa. 


Shara 3 anos para adopção na UPPA - Sabe mais aqui


Kiko 2 anos para adopção na Bigodes Fofos - Sabe mais aqui

2 - Já estão castrados, desparasitados e vacinados


Um ponto que é preciso ter bem assente na vossa cabeça é que os animais dão despesa, claro que se pensarmos na despesa que um carro nos dá por exemplo, percebemos que um animal saudável e que tenha os cuidados necessários em dia, os gastos com ele acabam por ser muito baixos, mas claro que eles ficam doentes quando menos se espera e acima de tudo vivem muitos anos portanto é preciso mesmo entenderem que ao assumirem a adopção de um animal esta inclui quando ele está saudável e quando não está, quando ele é novo e quando já não é.

Mas a verdade é que quando são bebés há sempre ali uma época de maior despesa porque precisam de mais doses de vacinas, têm de ser desparasitados e porque chegará a uma altura em que devem ser esterilizados e dependendo do sítio onde o façam os preços variam muito.


Ora um animal adulto já tem todos estes procedimentos feitos portanto se ele estiver sempre saudável só vai necessitar de um check up anual para ver se está tudo bem e fazer o reforço das vacinas logo acaba por ser uma boa vantagem. 

Filipe 8 anos para adopção na UPPA - Sabe mais aqui

Bianca 3 anos para adopção na Bigodes Fofos - Sabe mais aqui

3 - Já passaram pela fase da "destruição" e da constante necessidade de atenção
Sabem o que costumamos dizer cá em casa? O Luke conseguiu destruir em 3 meses o que o Pablo nunca fez em 4 anos, ahahahhaha. Atenção que não me estou a queixar, o Pablo era um gato com uma personalidade muito calma e pachorrenta tal como o Robin é. O Luke é todo um novo mundo para nós, é super querido, não arranha, não bufa e está sempre perto de mim tal e qual uma sombra, mas tem mais energia de que uma central nuclear a funcionar, juntando isto ao natural facto dele ser um puto podem perceber que toda uma nova remodelação já aconteceu lá em casa em 3 meses.

A questão aqui é que para mim não há mal nisto, eu entendo que seja normal as coisas se estragarem e não vou bater no animal, claro que lhe mostro que há coisas que não pode fazer e zango-me com ele mas tenho de aceitar que ele está exactamente nesta idade e nós que sempre estivemos habituados a ursos de peluche (Pablo e Robin) temos de aprender a lidar com uma pantera.

Da mesma forma noto que a necessidade de atenção é completamente diferente. Cães e gatos quando bebés passam por toda esta fase de mandar coisas ao chão, roer coisas e pedir mais atenção do que um adulto porque é normal e o que me entristece é que as pessoas quando adoptam bebés não pensam que estas coisas acontecem e decidem devolver porque o cão roeu os chinelos. Os adultos como já passaram por toda esta fase de excitação acabam por ser muito mais calmos em casa, claro que há excepções mas exactamente pelo que já falámos em cima adoptando um adulto já se conhece a personalidade dele e é mais fácil de perceber como se vai comportar. 

Belinha 8 anos para adopção na UPPA - Sabe mais aqui

 Lôla 4 anos para adopção na Bigodes Fofos - Sabe mais aqui

4 - Um animal adulto é uma excelente escolha para quem nunca teve animais

Bebés são tudo de bom mas dão muitooooooooooo mais trabalho do que um adulto podem acreditar. Quando tivemos o Pablo ele veio para nós com 2 meses e os primeiros tempos foram de verdadeiros pais que tinham acabado de ter uma criança. Ele miava a noite toda e escondia-se em tudo o que era sítio. Depois como nunca tínhamos tido um animal antes tudo era novo e tudo era medo.
O gato tossia nós achávamos que estava a passar mal. O gato queria vomitar bolas de pêlo nós entrávamos em pânico por não saber que som era aquele e por aí adiante. 

Quando adoptámos a bela dupla Robin e Luke foi claramente adoptar dois opostos. O Robin entrou na nossa casa como se aquilo fosse dele, percebemos claramente que ele já tinha tido uma casa porque nada do que via lhe parecia novo e dormiu tranquilamente nessa noite. 

Já o Luke como tinha 5 meses tudo era excitação versus curiosidade e claro alguma tristeza por estar longe dos irmãos, então a primeira noite foi assim voltar aos velhos tempos de ter um bebé em casa, onde é preciso educar. Claro que tudo isto vale muito a pena mas é preciso uma paciência extra e não há mal nenhum em se assumir que não se tem capacidade ou tempo para isto e em vez de adoptar um bebé para depois o devolver, muitas vezes um adulto acaba por ser uma companhia muito mais tranquila para quem nunca teve animais e não sabe muito bem como lidar com a loucura normal de um bebé. 

 Kuka 7 anos para adopção na UPPA - Sabe mais aqui

Sancho 10 anos para adopção na Bigodes Fofos - Sabe mais aqui

5- Animais adultos são eternamente gratos

Sabem sempre ouvi isto mas só depois de adoptar o Robin é que percebi exactamente o que queria dizer. Lá em casa costumamos dizer que o Robin olha para nós com olhar de gratidão com um olhar muito especial de quem sabe o que foi viver na rua. E é muito engraçado perceber isto porque há efectivamente diferenças no olhar do Luke e do Robin.

Claro que o Luke nos adora e teve muita sorte em ser encontrado no caixote do lixo com 10 dias juntamente com os irmãos, mas como era tão pequeno e acabou por viver numa associação cheia de amor, para ele não existe o não ter uma casa ao contrário do Robin, que não sabemos o seu passado mas claramente foi um gato que sofreu muito porque não tem mesmo perfil para ser gato de rua. É demasiado meigo e permissivo e acredito que acabou por levar muita "tareia" de outros gatos exactamente por ser assim, portanto desde o primeiro dia que esta dupla maravilhosa cá chegou a casa que nós sentimos que os olhos de Robin gritam por obrigado. Obrigado por lhe termos dado um puff gigante para dormir ou um tapete colocado estrategicamente ao lado da janela para apanhar sol. Obrigado acima de tudo por não o termos discriminado nem pela idade nem pela doença.

Se acham que isto é exagero experimentem adoptar um animal adulto e vão perceber o que vos falo sobre o olhar. 

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12 comentários :

  1. Que mais posso acrescentar? ❤️ És fantástica!

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  2. É bem verdade. Quando me pedem conselhos (como se eu fosse guru de alguma coisa) digo sempre que se nunca tiveram animais que o ideal é adoptem um adulto. :) Tanto para o humano como para o patudo. É muito triste ver os olhares dos cães adultos. Na associação onde sou voluntária há tantos e todos tão especiais, que não percebo porque não há pelo menos um humano especial para cada um deles.

    Os teus gatos dão-se mesmo bem! A minha ouve os gatos e o cão da vizinha e finge que não ouve. Só quando miam ou ladram mais alto é que fica a olhar para mim como quem pergunta "xiça, eles não vêm aqui, pois não?" XD

    beijinho

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    1. Sim lá na UPPA também há tantos tão queridos que são colocados de lado só porque são adultos e o que me custa mais é que a partir dos 6 meses as pessoas já começam a achar que já passou o prazo de validade. Como digo no post bebés são maravilhosos mas dão imenso trabalho e às vezes um adulto é mesmo o que algumas pessoas precisam :) Os meus gatos amam-se de paixão, foram adoptados juntos na mesma associação Bigodes Fofos, o Robin o adulto tem FIV o Luke bebé é super saudável. São uma verdadeira cola um do outro :)

      Beijinhos

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  3. Excelente post. E é verdade. Um bichinho que passa pela rua, ou por maus tratos, e depois vem para um lar com mimo, atenção, e em que ninguém o maltrata é um animal completamente diferente daquele que sempre esteve bem.
    Fico contente de encontrar pessoas que gostam de facto dos animais e divulgam esta excelente causa. Temos de falar por eles :)

    Encontrar um bom dono é um achado nos dias que correm...
    É muito triste quando alguém tem um animal durante anos e de repente apetece-lhe e descarta-o. Parte-se o coração. Quem é bom dono, é sempre bom dono e para sempre.

    um beijinho*

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    1. Sim eu noto muito isso no Luke e no Robin, foram adoptados juntos, amam-se de paixão mas nota-se claramente que o Robin olha muitas vezes para tudo quase com aquele medo de o perder novamente :)

      E sim há muita gente a querer adoptar mas encontrar bons corações não é fácil.

      beijinhos

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  4. Nada a acrescentar a este post! Disseste tudo. Só tenho a dizer que o mundo devia ter mais pessoas como tu e seria um lugar muito melhor!

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  5. Tive oportunidade de passar por essa experiência 2x com a adoção de 2 dos meus 5 cães. Fico contente que hajam pessoas como tu. É importante que se fale mais da adoção de patudos já crescidos <3
    barbarabaltarejo.blogspot.pt

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    1. e eu adoro conhecer mais pessoas que adoptaram adultos :) obrigada por o teres feito :)

      beijinhos

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  6. Uau, este texto está simplesmente maravilhoso! Confesso que ver todas essas fotografias conjugado com imensas descrições tuas me trouxeram a lágrima! É mesmo muito triste ver certos casos, porque os animais são exatamente como nós, sem tirar nem pôr! Eu tenho um cão (é traçado com pastor-alemão) e apesar de já estar connosco à 4/5 anos (já nem sei bem) ele continua com a mesma energia de sempre! Veio para cá com dois meses e os primeiros tempos foram complicados sim, mas consegue perceber-se nele que nos adora! Obrigada por este texto fantástico!

    Beijinho

    http://anamakeawish.blogspot.pt

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    1. muito obrigada pelo carinho Ana, fico muito feliz de saber que as pessoas se sentem tocadas por este tipo de partilhas porque é das coisas que mais amo, ajudar a causa animal :)

      beijinhos grandes

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