Não te foques numa percentagem

Dezembro 2016 @vaniafromlollytaste 

Há uns tempos atrás quase numa onda de começar a fazer um balanço deste ano que está quase a terminar dei por mim a pensar que grande parte da minha vida fui completamente obcecada por números e senti-me bastante triste por causa disto. 

Até 2013 a minha fixação era com o peso, tinha porque tinha de pesar 51 ou 52 quilos no máximo e quando passava desse valor começava a dar-me um fanico, depois quando fiz aquela fatídica avaliação em Setembro de 2013 que acusou 29% de massa gorda o foco mudou para outros números e tornei-me obcecada com a minha percentagem de massa gorda e massa magra. 


Comecei a ser acompanhada pela minha querida Catarina em 2013 com quem estive até Outubro de 2015 e foi sem dúvida com ela que aprendi a comer e em que tive a fase de maior equilíbrio na minha vida, no entanto o meu desejo por baixar constantemente mais e mais a massa gorda sempre esteve presente. 

No ginásio onde andei havia uma balança extremamente avançada que dava as percentagens de tudo e mais qualquer coisinha e eu comecei a pesar-me religiosamente todas as semanas sempre à mesma hora e sempre em jejum e lembro-me que a maioria das vezes era uma angústia terrível. Eu treinava muito, comia bem e as percentagens simplesmente não mexiam, então entrava num buraco escuro de desespero e ficava a odiar-me cada vez mais para depois prometer que ia treinar ainda mais. 

O auge desta obsessão chegou no início deste ano, quando fiz uma dieta muito rigorosa que me baixou a massa gorda para 15% e me trouxe não só um vazio imenso por sentir que não estava tão espectacular como eu tinha imaginado como acima de tudo me trouxe muitos distúrbios hormonais e graves crises de compulsões que culminaram aqui no meu assumir que tinha efectivamente falhado nesta coisa do ser saudável depois de 3 anos no bom caminho. 

Foi um despojar de armas, um abrir o coração e assumir que eu estava efectivamente fora de controlo e precisava de mudar a forma como eu me encarava e a primeira coisa que decidi fazer foi efectivamente esquecer a balança e as percentagens e desde Agosto que não faço a mínima ideia quanto tenho de massa gorda, de massa magra nem quanto peso e do fundo do meu coração digo-vos que me sinto aliviada. 

O triste é que esta minha obsessão parece ser efectivamente ser a nova obsessão do mundo fitness e uma das coisas que mais me inspirou a fazer este post foi efectivamente ter visto uma rapariga há uns 2 meses no instagram completamente de rastos porque a máquina do ginásio não lhe tinha dado os resultados que ela esperava e ver aquela miúda tão em baixo, tão sem chão por causa do raio de uma máquina fez-me relembrar os meus próprios sentimentos. 

Não acham que é tão triste basear os nossos resultados no que uma máquina que é extremamente falível nos possa indicar? Sabiam que se tiverem pouco hidratados os resultados da máquina são diferentes do que se tiverem hidratados? Sabiam que se tiverem bebido café 24h antes os resultados são diferentes? Sabiam que a máquina varia consoante se estão em jejum ou não? Então se este tipo de coisa é tão variável porque raio temos de nos deixar absorver por estes números que não passam disso mesmo números. 

É óbvio que é importante controlarmos a nossa composição corporal, mas não acham que tirar fotografias e ir comparando ao longo do tempo a evolução é muito mais fiável do que uma maquina que depende de mil e um factores? Uma das coisas que mais me fez abrir os olhos foi que quando atingi aqueles 15% eu senti-me bastante insatisfeita e quis baixar mais e foi exactamente ai que entendi que por mais que eu baixasse eu nunca iria estar feliz, pois tal como anos antes eu era a doida do peso e tinha um medo terrível de passar dos 52 quilos naquele momento eu estava com a percentagem de gordura mais baixa de sempre e mesmo assim senti-me vazia. 

A grande verdade é que eu passei a estar efectivamente mais tranquila comigo mesmo quando deixei de me pesar todas as semanas e especialmente de estabelecer metas de percentagens que tinha de alcançar até x tempo, vou tirando fotos para perceber como estou e tiro algumas medidas quando me lembro (acho que a última vez que tirei foi em Outubro). 

Sabem são estes pequenos passos que vou dando que me mostram que efectivamente estou no bom caminho para me reequilibrar, para voltar à paz de espírito que já tive e consigo perceber que estou mesmo a desligar-me de números quando as metas que tenho estabelecidas para mim passam por tornar-me melhor atleta e conseguir executar um x números de exercícios no crossfit que hoje não consigo do que alcançar a percentagem x. 

E meus amigos se isto não é plenitude e paz de espírito então não sei o que será, por isso esqueçam as percentagens, esqueçam os números e foquem-se em vocês, não deixem que uma balança vos estrague o orgulho que é levantarem-se da cama todos os dias cedo para irem treinar ou saírem do trabalho com vontade de ir para o sofá mas decidem não falhar um treino quando o resto do mundo opta pelo mais fácil. 


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