Ataque de Pânico - Os seguintes


Depois de ter tido o meu primeiro ataque de pânico em Junho de 2011 os dois meses seguintes foram de verdadeiro terror. Os ataques começaram a ser frequentes, as minhas idas ao hospital também e eu vivia num constante medo de morrer do coração. 

Comecei a ler muita coisa na net, erro crasso que me fazia ficar ainda mais paranóica e cada vez tinha mais a certeza que sofria de um problema grave de coração. A grande maioria dos ataques começava em casa, quando eu estava tranquila a ver televisão ou a dormir e rapidamente me levavam a descer numa espiral de medo e pânico que só fazia piorar as coisas.

Insta Moments


É pelo Instagram do blogue que vou partilhando a minha rotina de treino e alimentação, e onde também aproveito para me inspirar em várias contas. 

Por aqui deixo-vos alguns fragmentos do que por lá se passa, como o meu novo e viciante amor pela granola trinca. Foi a nutricionista que me segue que me aconselhou esta granola na primeira consulta em Julho e fiquei tão viciada que desde essa altura já comprei mais dois pacotes. 

Partilhei também que troquei oficialmente o ginásio pelo crossfit, já era um desejo meu muito antigo que fui adiando mas com todas as mudanças menos boas que tive este ano, o regresso das compulsões e o sentir-me muito saturada do ambiente de ginásio decidi que estava na altura de mudar e foi sem dúvida a melhor opção que podia ter tomado. Para além disso os dois pares de ténis de crossfit que já tinha e que usava no ginásio, sentem-se agora muito mais em casa ao entrarem na box 351

Continuam claro a haver muitas fotos da praia, onde ocorrem os treinos top que tenho com os Outsiders Gym logo às 07 da manhã, foi com eles que comecei a celebrar o meu dia de aniversário e foi também aqui que ao final de 25 anos perdi o medo de fazer o pino

O regresso do meu relógio polar depois de ter estado adormecido meses, aquela típica selfie no elevador com cara de 06.45 da manhã, as marmitas saudáveis na praia ou deliciar-me com uma clif bar ao lanche são alguns dos fragmentos que vou partilhando. 

Sigam-me por lá em @vanialifestyle. Sabiam também que tenho snapchat? Podem sempre dar um olá em va.duarte.

Regressei à Nutricionista


Quarta-feira passada foi dia de ter a segunda consulta com a nutricionista que me está a acompanhar depois de eu ter assumido que as compulsões tinham voltado e que precisava de ajuda. Depois do que aconteceu com o Pablo o meu mood não era o mais espectacular, mas uma vez que já tinha confirmado na semana anterior decidi que ia lá e neste caso a vantagem de ter um acompanhamento presencial para mim serve como uma forma de me policiar melhor. 

Eu já aqui tinha escrito que tinha feito um mês que não tinha compulsões e isso para mim foi uma grande vitória. Fui seguindo o plano tranquilamente, nunca me senti com fome e acima de tudo nunca me senti ansiosa se tivesse algum jantar ou petisco com amigos por isso os dias e semanas foram passando e eu nem dei muito por isso.

O luto


O luto é uma fase estranha na vida de uma pessoa. Nos momentos imediatamente a seguir a perderes quem amas, a vida desaba sobre a tua cabeça, sentes como se tivesses acabado de levar uma carga de porrada tão violenta que todo o teu corpo dói muito, porque o luto para além de te magoar psicologicamente dá-te dores físicas grandes. As pernas, os braços, tudo está dorido, tudo parece ter acabado de sair de um combate e na verdade não é assim tão idiota pensar nisto desta forma, porque no fundo sais de um combate onde não perdeste uma taça ou o primeiro lugar, perdeste uma vida, perdeste para sempre quem amas

Os dias a seguir não são bem dias, são fragmentos de coisas onde tu vais só estando, tens de ir aquele lugar buscar os exames e tu vais, tens de ir jantar com aquelas pessoas que te querem muito dar força e tu jantas, tens de regressar ao trabalho onde todos os teus colegas te tentam ao máximo apoiar e tu regressas, no fundo tu estás mas não estás. Tu ouves com atenção todos os conselhos que te dão, toda a força das pessoas que não te querem ver assim, mas não deixas de só estar porque tem de ser, porque tens de cumprir com as tuas obrigações sociais, porque no fundo tens de continuar a viver, mesmo que saibas que estás a viver uma aparência.


Infelizmente nos meus parcos 31 anos de existência já estive de luto 2 vezes, sendo esta a terceira, infelizmente na minha vida já me cruzei muito de perto com este sentimento de perda e é exactamente por isto que chega a uma certa altura em que por mais que saibas que as pessoas te querem dar força, que as pessoas te querem ver para cima, tu só queres que se calem, não porque te estejam a importunar, mas porque tu sabes que nada do que te possam dizer neste momento nem daqui a algum tempo irá reverter o sentimento de impotência que é veres partir um dos teus. 

Teres pessoas a darem-te força e sentires vontade de te fechar num armário para não as ouvir faz parte, elas não são chatas nem tu és insensível. Isto é o luto. 

E sim, os anos vão passar, esta dor vai diminuir, sim eu sei disso, depois vai instalar-se a saudade, a saudade constante de alguém que já não podes tocar, de alguém que já não podes sentir ou cheirar de alguém que esteve na tua vida e já não está.

De entre as várias fases do luto, há uma que é meio mesquinha, é aquela em que já passou algum tempo, tu entras em modo de resiliência e para o mundo cá fora, parece que aos poucos as coisas estão a assentar. O tema perda já não é tão falado, as pessoas aos poucos começam a esquecer aquela fase negra que viveste, e a vida começa a rolar à sua velocidade normal. 



Neste fase a que eu sempre chamei "a fase teatral" tu próprio acreditas que as coisas estão a acalmar, deixas de chorar, deixas de pensar tanto naquele momento fatídico, a tua rotina de vida já está mais do que encaixada e no fundo sentes que estás a superar, até que um dia por alguma razão, olhas para algo e vês um vulto, ouves uma voz, ou simplesmente de apercebes que aquele puff que tens na sala não deveria estar vazio, que ali antigamente havia uma vida que o usava incansavelmente para grandes sestas e te desmoronas, cais como um verdadeiro castelo de cartas e levas novamente aquela chapada inicial de teres perdido uma parte de ti.

Não há mal nenhum nisto acontecer, faz parte acredita em mim, faz parte de se estar de luto, faz parte acima de tudo de chorares os teus mesmo que não derrames uma lágrima, e não há um prazo de validade para isto terminar, não há uma altura em que tenhas de decidir que já não estás de luto, porque isto não se decide simplesmente acontece, e num dia qualquer de um mês ou ano qualquer vai chegar o dia em que a voz já não está presente e o vulto dá o lugar às imagens claras que guardas em molduras na tua casa. 

Até chegar aqui há um caminho longo a percorrer, que não sendo necessariamente sempre pautado por choro e depressão tem sempre uma coisa em comum a dor, que estando mais forte ao início ou mais suave com o passar do tempo te vai deixar durante muito tempo com um nó na garganta. 

Não lutes contra isso, não te retraias, mas também não precisas de chorar cascatas para mostrares ao mundo que estás a sofrer se não é isso que queres. Com a minha infeliz experiência neste estado de luto aprendi a não criticar, as pessoas são diferentes e precisam de se expressar de forma diferente, há quem chore muito, há quem grite, há quem não chore, há quem se mantenha com um ar quase sereno e por dentro sofre em silêncio, ninguém está correcto nem ninguém está errado, é assim que as coisas são e se quando amamos temos formas diferentes de o demonstrar quando sofremos a lógica é igual. 

Eu sei disto porque já passei duas vezes por todas estas fases e em ambas cheguei à parte em que te sentes resolvido com a situação. E agora volto a saber disto, porque acabei de regressar novamente à primeira fase e no fundo eu sei que só o tempo poderá curar. 

Para adopção


Há muito tempo que não partilhava por aqui maravilhosos patudos residentes na UPPA, são muitos os que continuam a aguardar por uma família que os ame, respeite e lhes dê todo o amor que merecem. 

Normalmente apresento-vos sempre adultos porque na realidade todos sabemos que são os menos desejados pela grande maioria das pessoas, mas hoje são estas três pequenas delicias que vão ser os protagonistas por aqui, são o Noddy, a Kinkas e a Bloom uns orelhudos maravilhosos de porte médio e com 14 semanas. 



Se conhecem alguma família responsável capaz de amar um destes patudos não deixem de partilhar este post ou entrar em contacto com a uppa por email: uppa.adoptantes@gmail.com.


Lembrem-se só que um animal não é um brinquedo e que vive muitos anos, anos esses em que merece ser respeitado e amado como qualquer membro da família, garanto-vos que o retorno do que recebem é muito maior do que aquilo que alguma vez vão poder imaginar. Ter um animal é verdadeira magia, muda-nos para sempre. 

Podem sempre ajudar a uppa com um donativo, sendo sócios ou voluntários, saibam mais aqui

Não sejas bully contigo


"...com certeza não fazes a outras mulheres as críticas tão duras que fazes a ti mesma e que te deixam com esse medo de voltar atrás. Quando olhares ao espelho, pensa que estás a olhar para qualquer outra pessoa que não tu. O que é que lhe dirias? "

Uma das melhores coisas que o blogue sempre me trouxe foi a oportunidade de trocar ideias com outras pessoas e a semana passada recebi um comentário da Joana Sousa que me deixou realmente a pensar sobre a forma como nos tratamos e entre várias coisas que a Joana escreveu aquela parte acima foi como uma abanão.

Procura o melhor


Queres um conselho? Não te deixes enganar, não são um par de bons músculos ou uns abdominais mais definidos que dizem que uma pessoa está apta para te passar um treino ou um plano de alimentação e infelizmente hoje em dia, com o crescimento do interesse no fitness há cada vez mais ofertas de planos alimentares de pessoas que não tem a mínima formação para o fazer.

O corpo é teu e acima de qualquer ambição visual a tua prioridade deve ser sempre a saúde, por isso não penses que só porque aquela pessoa tem um corpo escultural te pode dar directrizes do que quer que seja pondo-te em risco. 

Esta dor


Não sei o que dizer não sei sobretudo como o dizer, tenho a garganta presa, bloqueada por todos os acontecimentos que te levaram para longe de mim. Não consigo falar, as palavras atropelam-se e eu sinto tudo turvo, os dedos e as mãos são as únicas ferramentas que consigo utilizar para fazer sair do meu interior o quanto esta dor se apoderou de mim e não me deixa respirar.

Esta dor que é das mais cruéis que um ser humano pode sentir e que chegou sem avisar, chegou sem ninguém prever e te levou de mim sem qualquer tipo de justiça. Esta dor rasga a alma, rasga o espírito deixa-nos nus, frágeis e voláteis leva-nos a essência e deixa-nos um corpo que é apenas um cabide, que nos segura e nos transporta para os locais comuns da nossa vida, casa, trabalho, ginásio e que nos permite manter uma sanidade baseada na aparência.

É uma dor que corta a respiração, que te deixa várias vezes a olhar para o horizonte enquanto sentes facadas intencionais a dilacerarem o teu interior, é uma dor que te faz ouvir barulhos em casa quando mais ninguém está, é uma dor que não se explica, é uma dor que só se sente quando perdes quem amas e eu perdi-te para sempre.



É muito complicado para mim aceitar o que aconteceu neste momento e talvez por isso seja difícil despedir-me, seja acima de tudo difícil aceitar que já não estás connosco, que deixaste de estar na nossa vida, na nossa casa e não são raras as vezes que dou por mim a olhar para a varanda na esperança que estejas debaixo do estendal, ou que ache estranho não ter de ir rápido para casa porque tens de comer. 

Esta é uma dor que te faz chorar até um certo tempo e depois te seca por completo e te deixa apenas uma dor silenciosa que é transmitida pelo olhar, esta é uma dor de quem te roubou a vida. Há quem diga que não há maior dor que perder um filho e estou-me completamente nas tintas se vou chocar multidões ou os puristas por te comparar a um ser humano, mas tu eras meu, tu eras o meu bebe, tu foste estupidamente desejado, tu eras o meu pequeno de quem eu prometi cuidar, amar e proteger de todo e qualquer mal, tu eras uma das maiores alegrias da nossa vida, e pura e simplesmente foste roubado de nós sem qualquer piedade, foste negligenciado por quem deveria ter cuidado de ti, e isso é completamente imperdoável.

Não consigo dizer-te adeus porque simplesmente não aceito que já não estejas comigo, não posso aceitar que aos 4 anos tiveste de sofrer o que sofreste, não posso aceitar que tu um pequeno anjo que todos gabavam a bondade e a tranquilidade com que levavas uma vacina ou eras observado, tenha tido uma morte cruel, dolorosa e sofredora por falta de atenção médica. Não consigo dizer-te adeus, porque no meu coração, na minha vida, na minha casa, na minha roupa tu ainda estás muito presente, porque na minha alma eu vejo-te na porta de entrada a dares-me as boas vindas. 

Foste levado injustamente deste mundo e estas são das dores mais difíceis de cicatrizar, a dor da injustiça e sobretudo a dor de saber que ainda não era a tua hora. 

Amar à distância


Passaram 6 meses desde que estamos separados por milhares de kms, eu cá e ele lá. No nosso caso não foi uma necessidade o ir para fora, ele estava até muito bem cá e éramos (somos felizes) mas surgiu uma grande oportunidade profissional e ele com o meu apoio decidiu aceitar. 

O primeiro


Estávamos em Junho de 2011, ele tinha regressado de vez a Portugal depois de 3 meses a trabalhar em ParisVivíamos há pouco tempo juntos, quando ele partiu para Paris por isso o regresso era mais do que esperado, e fomos então sair para celebrar. Chegámos a casa vindos de uma festa com amigos, seriam talvez 6/7 da manhã, despir, não tirar a maquilhagem porque aos 25 ainda não nos preocupamos muito com isso, deitar fechar os olhos e embalar num sono profundo de quem tem as pernas cansadas de uma noite cheia de dança.

8 da manhã, acordo de repente. O corpo começa a tremer aos poucos, não ligo acho que é frio apesar de estarmos no verão e enrosco-me nele, mas a temperatura começa a baixar e os tremores aumentam. Sinto que o coração esta rápido, mais rápido do que o normal é assusto-me. Levanto-me da cama, vou beber água, ele já dorme, sinto as mãos suadas mas o corpo não para de tremer, sinto uma dor, uma dor muito forte no lado esquerdo, o meu braço está dormente, a dor cada vez mais forte, todos nós sabemos o que isto é, nos filmes, na net em todo o lado é assim que começa, corro para o quarto grito por ajuda enquanto o meu corpo está cada vez mais descontrolado. 

Vamos para o hospital, ele olha para mim assustado, eu estava bem quando chegámos a casa e agora queixo-me que me dói muito o peito, ele voa. Não sei o que se passa comigo, sei que sinto angústia, sei que sinto desespero por não ter qualquer tipo de controlo sobre o meu corpo e acima de tudo sem saber o porque de estar assim.

Dou entrada muito rápido nas urgências, depois de umas breves perguntas tudo apontava para o início de um ataque cardíaco, a tensão estava alta por isso começaram a fazer exames mas em pouco tempo perceberam que nada se passava com o meu coração.

Voltei até ao médico que me perguntou se quando aquilo começou eu estava nervosa. Disse-lhe que não, que estava a dormir quando comecei a ter aqueles sintomas, ele disse-me que eu devia andar stressada, receitou-me uns comprimidos para baixar os batimentos cardíacos caso voltasse a acontecer e mandou-me para casa sem mais nenhuma explicação.

Sai do hospital completamente zonza, ele cá fora esperava por mim com um olhar de medo mas ao ver que estava tudo bem o alívio instalou-se e seguimos para a nossa casa para finalmente descansar.
Lembro-me que ia no carro, zonza da medicação que me deram, estava contente por não ter sido nada mas no fundo, no meu mais íntimo eu sabia que alguma coisa não estava bem comigo, sabia que efectivamente alguma coisa se tinha passado,  só não sabia que nome dar-lhe...não sabia e demorei a saber que tinha tido o meu primeiro ataque de pânico. 

Um mês


Faz exactamente hoje um mês que não tenho compulsões. Um mês inteirinho em que não enfiei a cara num qualquer pacote de galetes e só terminei quando lhe vi o fim, e isto é coisa para me deixar para lá de orgulhosa comigo. 

Tenho seguido o plano que a nutricionista me passou, não a 100% porque fiz anos a semana passada e uma pessoa acaba sempre por comer uma ou outra coisa por fora, mas neste mês senti que racionalizei muito mais as coisas e isso ajudou-me bastante a não me espalhar ao comprido no que toca a comida. 

Das vitórias


Passaram exactamente 25 anos até voltar a fazer o pino, mas a semana passada finalmente consegui fazê-lo.

Há muitos anos que vivia em mim um trauma gigantesco com este exercício, tinha 6 anos e no recreio tentei fazer, cai e parti na cabeça, na altura os colegas que estavam comigo começaram a rir muito e só uma colega foi chamar as empregadas para me ajudarem. Desde essa altura instalou-se um medo em mim e nunca mais o consegui fazer.

Os anos passaram, eu acabei por engordar na adolescência e sempre que existia pino nas aulas de ginástica eu não fazia, porque era gorda, porque tinha medo de cair, porque sabia que não iria suportar o meu peso e tinha ainda mais medo de ser gozada, por isso nunca mais o voltei a fazer.

Até que a semana passada segunda feira no meu habitual treino na praia com os Outsiders Gym, o Ruben (instrutor da manhã) colocou o pino como um dos exercícios e eu congelei. Fiquei a olhar para a parede e o meu corpo simplesmente parou, não tinha reacção e na minha cabeça só conseguia ouvir aqueles risos idiotas de miúdos com 6 anos enquanto eu estava no chão com dores. Na altura o Ruben disse para eu começar então com as mãos no chão e ir subindo os pés na parede devagar para ganhar confiança, fui fazendo isso mas de cada vez que me via mais vertical começava a tremer. Terminei a aula um bocado frustrada porque eu odeio não conseguir fazer as coisas por causa de traumas.

No dia a seguir fui à box treinar e o que havia para menu? HandStand Push Ups claro está, eu voltei a tremer, mas o professor deu a opção de quem não quisesse/conseguisse fazer, para fazer flexões numas barras paralelas e foi o que fiz, no entanto passei o treino a olhar para aquelas miúdas, as tais que me inspiram, as tais que me motivam, as tais que mostram que as mulheres conseguem o mesmo que os homens e decidi naquele momento que se em dois dias seguidos eu tinha sido colocada à frente de um trauma estava na altura de o vencer.

E assim foi, quarta-feira fui treinar à praia e disse ao Ruben que tinha de vencer o medo, por isso no final do treino ia experimentar fazer o pino. As primeiras tentativas foram só idiotas, parecia um bebé a tentar colocar-se de pé, as pernas não subiam, ou então só subia uma e a outra ficava ali pendurada sem saber o que fazer, até que assim depois de umas quantas tentativas consegui elevar-me e dei um grito tão histérico que se deve ter ouvido em Cascais. Depois o Ruben disse-me que para passar à próxima fase que é tentar equilibrar-me sem parede, teria que aguentar primeiro 3 sets de 1 minuto na parede, eu disse-lhe que achava que conseguia mas ao final de 20 segundos não consegui.

E a verdade é que conseguir fazer este pino ao final de 25 anos, teve um significado muito maior do que vocês imaginam, mostrou-me que eu sou mais forte do que imagino, mostrou-me que duvido muito das minhas capacidades sem nenhuma razão e que se consegui vencer este medo, também vou conseguir vencer a batalha que tenho com a comida.

Este é um pino tosco, muito pouco perfeito mas é o MEU pino, é o meu símbolo de vitória sobre um medo e isto já ninguém me tira. 

Boca aberta


Das coisas que me deixa com ar boquiaberto no Crossfit é ver todos os dias a capacidade que o corpo humano tem de fazer coisas absolutamente brutais e de se adaptar a novos estímulos e movimentos.

As argolas deixam-me sempre doida, o Kipping Ring Muscle Up é possivelmente dos exercícios mais complexos que existem no crossfit, mas para mim dos mais bonitos e que me fazem ficar a apreciar com verdadeira admiração quem consegue executá-lo. Talvez por desde sempre gostar de ver a ginástica nos jogos olímpicos entrar na box e pensar que um dia talvez consiga elevar o meu corpo acima daquelas argolas é absolutamente maravilhoso. 

Nas barras é o Kipping Pull Up e os Muscle Ups que me deixam a babar, especialmente quando vejo raparigas a fazer isto. Sei que o kipping é mais uma questão de jeito do que de força, conseguir dominar aquele balanço é fundamental e chamem-me doida mas tenho passado muito do meu tempo, a ver vídeos para tentar perceber como conseguir ganhar jeito com aquele balanço. Espero muito pelo dia que consiga fazer uma Kipping Pull Up na perfeição. 

E são estas e tantas outras coisas que me deixam completamente inebriada pelo brilho do crossfit. Uma das coisas que mais me dá gosto ver é outras raparigas treinar, e olhem que na box onde estou há miúdas absolutamente brutais, inclusive duas que estão grávidas, e gosto de as ver porque me motivam, a tentar ir mais além. E acredito que esta seja mais uma das grandes diferenças do crossfit para os ginásios, porque não há aquele olhar de ela tem um rabo melhor que o meu, ou a barriga mais chapada, é mais um olhar de admiração como disse acima, aquele olhar de "fogo ela consegue fazer aquele squat snatch tão perfeitinho e com aquele peso, quero chegar aquele nível. "

O crossfit para além de trabalhar o corpo trabalha duas coisas muito importantes - as relações com os outros e acima de tudo trabalha o nosso interior, torna-nos mais fortes, mais capazes e mais confiantes. 

São 31


Ora então, sejam muito bem vindos, estou pronta para vos receber de braços abertos e sorriso aberto. Prometo usar-vos muito bem, usufruir de todos os bons momentos que tiverem para me dar e tentar que as coisas menos boas que possam vir a aparecer sirvam de aprendizagem.

Engraçado como há um ano atrás quando fiz 30 estava super deprimida, aliás lembro-me perfeitamente que um mês antes já andava meio rabugenta, porque o número 30 assustava-me um bocado. No fundo o que eu sentia é que era esquisito dizer que tinha 30 quando me sentia com 22, mas a verdade é que os fiz, tive um aniversário maravilhoso e ao final de uma semana já pouco me lembrava da pesudo-depressão dos 30.

As opiniões


Tenho para mim que a maioria das opiniões se fossem realmente boas, não se davam mas vendiam-se, especialmente quando lidamos com temas delicados, como peso e dietas.

As pessoas acham que sabem muito de tudo, acham ainda mais que sabem exactamente como nos sentimos e que tem a chave para os nossos problemas ali mesmo à mão. Quando eu tinha excesso de peso, muitas pessoas diziam-me coisas tão espectaculares como: 
" - Se queres emagrecer fecha a boca é simples, tens que ser mais forte que isso." 

A sério que a solução é assim tão simples? Ando eu aqui a lidar com emoções e afinal estou a ser uma mariquinhas de todo o tamanho, porque o segredo é uma coisa tão simples como fechar a boca. Obrigada então. Já agora queres uma opinião? Fecha tu a tua também e nunca mais a abras, o mundo vai agradecer para sempre.

A verdade é que basta dizer a palavra dieta e há todo um holofote de olhares sobre nós como se tivéssemos acabado de dizer: "matei alguém". Quantas de nós não sofremos um inquérito digno de polícia judiciária assim que proferimos as fatídicas palavras "Estou a fazer dieta". E és questionada, do porquê se estás tão bem, e avisam-te de tem cuidado para não ficares esquelética, ou parece que o facto de estares em dieta é o momento ideal para te atormentarem com, "vá lá só um bocadinho, não é por comeres esta fatia de cheesecake e o pão com manteiga que vais engordar". 

E quantas pessoas não decidiram tornar-se mais activas e já tiveram de ouvir "então agora também andas na moda do fitness", como se fosse uma coisa completamente estúpida e sem sentido as pessoas decidirem que querem começar a fazer exercício, e se arranjaram inspiração em outras pessoas que treinam qual é o mal?

As pessoas acham-se no direito de opinar demasiado sobre a vida alheia, sobre o que o outro veste, sobre o quanto o outro emagreceu ou engordou, enfim sobre tudo e um par de botas, e se há algumas que até o fazem com boas intenções acredito que há muita gente que o faz por pura maldade, só para te ver cair. 

Corria o belo mês de Junho e eu recebi uma mensagem no meu snapchat @va.duarte (já me seguem por lá?) que dizia o seguinte: "vi-te hoje no ginásio e não és tão fit com aparentas ser, para aquilo que treinas devias ser mais definida".  Li a mensagem, não respondi e fiquei uns minutos agarrada ao telefone a pensar porque raio alguém se dá ao trabalho de escrever uma coisa assim, sem se importar com o que a outra pessoa vai sentir. 

Quando recebi essa mensagem eu já andava em baixo, as compulsões estavam muito fortes, o meu corpo estava esgotado do excesso de treinos e ler aquilo foi um pontapé no estômago muito grande, foi quase como regressar à minha adolescência e ouvir as minhas colegas gozarem com o tamanho das minhas ancas. Foi puro bullyng e  a única coisa em que pensei foi o porquê daquela pessoa ter decidido ser tão cruel comigo sem se importar com os meus sentimentos. Sei que não me agarrei a nenhum pacote de bolachas quando li aquilo, mas senti-me muito mal comigo mesma.

Para além de ter sido idiota, nunca entendi o que quis dizer com "o que aparentas ser", eu sou o que mostro, portanto fiquei sem perceber o que estava ela à espera de ver ao vivo. Será que era um rabo pequeno? Eu nunca tive o rabo pequeno na minha vida, e acho que isso dá para perceber em todas as fotos que partilho. Será que era a barriga da Pugliesi? Ou será que foi tudo pura e simplesmente para poder rebaixar outra pessoa com a armadura de um ecrã em que consegues ser o maior herói que por ai anda.

Depois de ter decidido assumir que estava com este problema com a comida, decidi também que só iria dar ouvidos a 2 ou 3 pessoas que efectivamente se preocupam comigo e entendem esta minha relação tumultuosa. O resto coloquei-os numa pasta mental chamada outros e decidi não lhes dar crédito, porque acima de tudo estou a fazer isto por mim e só para mim, para poder melhorar e regressar a um caminho mais equilibrado, e tenho que aceitar que vão sempre existir os outros, que vão duvidar, opinar sobre tudo, questionar o porquê de todas as decisões que tomamos, esperar que falhemos para serem os primeiros da bancada a dizer "eu avisei" e no fundo está nas nossas mãos conseguir distinguir os verdadeiros dos outros.

Um refúgio para a ansiedade


Sempre fui uma pessoa ansiosa, desde que me lembro como gente que sempre sofri por antecipação, sempre fiquei nervosa ao mínimo sinal de mudanças na minha rotina, sempre me senti desconfortável com confrontos ou ter de lidar com situações mais delicadas. Sempre fui assim e sempre lidei com a ansiedade da melhor forma que conseguia: com comida.

Granola Trinca




No fim de semana partilhei no Snapchat (@va.duarte) e no Instagram (@vanialifestyle) os produtos trinca que tinham chegado a minha casa e várias pessoas pediram-me mais informações sobre eles.

Conheci a Trinca na primeira consulta que tive com a nutricionista que me está a acompanhar, estávamos a falar sobre o tipo de alimentos que gosto para elaborarmos em conjunto o melhor plano para mim, quando eu disse que gostava muito de granola. 

Como nos dias em que não treino o meu consumo de hidratos é mais baixo, ela sugeriu esta granola pois a opção de Arandos e Côco não tem nenhum cereal, é extremamente rica em proteína e como tem muitas gorduras boas deixa-nos saciados durante muito tempo.

Ela explicou-me que para além de ser muito boa nutricionalmente, todos os produtos usados são de agricultura biológica e no caso deste sabor é 100% Vegan e foi considerada sabor do ano 2015. 

Comprei a granola e aproveitei que tinham óleo de coco biológico a um bom preço e comprei também, quando recebi a encomenda veio também uma amostra da granola gengibre e limão que tem na sua base aveia sem glúten, ainda não provei mas estou curiosa.

A granola para além de ser deliciosa e muito saciante tem um packaging muito bonito, com um ar muito tradicional e cuidado. Os preços são um pouco mais elevados do que outras granolas artesanais mas tendo em conta que os ingredientes são todos biológicos acho que vale bem a pena. 

A Trinca tem loja online aquiNão deixem de experimentar.

Procuro o que?




Ontem perguntaram-me pelo Snapchat (sigam-me @va.duarte), se eu tinha engordado assim tanto nestes meses para precisar de acompanhamento de um nutricionista e no fundo o que procurava eu.

A minha resposta é: não se trata de peso ou de me sentir gorda, mas de equilíbrio emocional com a comida. 

As férias trouxeram-me 2 kilos e alguns centímetros a mais na anca e na zona abdominal, mas nada que me tire o sono, eu sei que com exercício isto ia lá, mas as compulsões que se apoderaram de mim depois de ter feito aquela dieta no início do ano e de ter desregulado todo o meu organismo deixaram-me totalmente à deriva com o que posso ou não fazer com a comida. 

Vamos lá ver se me consigo explicar eu não acredito que para de ser saudável e feliz,  a vida tenha de ser feita ao sabor de bróculos e grelhados para todo o sempre, como também sei que não é a encher a pança desalmadamente e sem noção que se chega a algum lado, mas o que me aconteceu é que ao ficar com carências de vitaminas no meu corpo, passei a estar num estado de 8 ou 80.

No fundo ao final de 3 anos no bom caminho eu desaprendi de comer, e é por isso que estou a ser acompanhada, não só porque tenho de voltar a equilibrar o organismo como acima de tudo preciso de saber controlar as minhas compulsões. Mais do que perder alguma massa gorda que ganhei, o importante para mim é voltar a sentir-me plena e confiante com a comida, é deixar de ter medo de errar e não usar isso como desculpa para comer o mundo. 

E se num futuro quero conseguir seguir este caminho sozinha, sei que agora preciso de admitir que para chegar a esse estado preciso novamente de ajuda como precisei em 2013. 

E não há mal nenhum nisto :)

Fui ao Crossfit

imagem via web

Tive ontem a minha primeira aula de crossfit. Foi também a minha primeira vez numa box e saí de lá com a certeza que tinha feito a escolha certa.

O crossfit sempre exerceu sobre mim um grande fascínio, de tal modo que eu tenho dois pares de ténis de crossfit com que treinava normalmente. Já tinha feito muito cross training com o meu antigo PT durante muito tempo e sempre gostei não só do tipo de treino como da adrenalina que sentia. Demorou um ano desde que comecei a demonstrar interesse por esta modalidade mas decidi que estava na altura de arriscar e experimentar. 

Não vos consigo explicar o ambiente de uma box, é tão diferente do que estava habituada, não há espelhos, não há pausas para selfies, não há olhares indiscretos, há sim uma grande entre ajuda. As pessoas no crossfit unem-se, juntam-se e apoiam-se, formam um grupo e durante aquela hora de treino tentam ir mais além. No final todos se cumprimentam, e no fundo fazem-te sentir que pertences ali.

A minha primeira aula foi num dia de recovery day, supostamente são as aulas mais calmas, mesmo assim terminei a suar. Muito remo, deadlifts, power cleans e handstands, muitos destes termos eu conhecia porque já fazia estes exercícios nos meus treinos (menos o handstand que tinha pavor), no entanto todas as siglas que aparecem no quadro deixam-me com os olhos em bico.

O bom disto é que mesmo que não se percebam as siglas ou que não se consigam fazer os exercícios, o coach explica tudo e dá mil variações para que todas as pessoas consigam fazer e possam evoluir, porque ao contrário do que se pensa o crossfit é para todos. Como disse acima um dos exercícios do meu primeiro dia de treino eram os  handstands push ups, mas eu sempre tive pavor deste exercício por ter um trauma de infância a fazer o pino, no entanto o professor deu-me outra opção e eu acabei por fazer push ups nas barras. 

Terminei a aula com vontade de regressar no dia a seguir, estou inscrita 3 vezes por semana e complemento os outros dois dias com os treinos na praia. Portanto amanhã é de novo dia de crossfit e eu já estou ansiosa. 

Chamem-lhe moda, desporto que não é desporto, modalidade perigosa, o que quiserem, para mim crossfit é sinónimo de superação e sobretudo é uma modalidade que me faz acreditar nas minhas capacidades, e só por causa disto já valeu a pena ter decidido experimentar. 

Portanto, fui ao crossfit e fiquei. 

Mudar o chip


instagram: vanialifestyle

Sempre gostei de exercício é um facto. Mesmo quando tinha excesso de peso à séria eu adorava educação física e esforçava-me para ser escolhida. Jogava futebol, basketball, andebol e tinha muito jeito para a coisa, já a ginástica não era muito o meu forte, não só porque eu era bastante maria rapaz e andar de sapatilhas era coisa que me dava comichão, como fazer o pino com quase 70 kilos em cima não era de todo tarefa fácil.

Cresci, comecei a trabalhar e isso levou-me a frequentar ginásios. Não ia com a regularidade que vou hoje é verdade, é bem provável até que a minha frequência fosse bastante intensa de Março a Outubro e depois tirava umas férias, mas no geral ia-me mantendo activa e isso levou a que fosse perdendo peso, até que há 4 anos inscrevi-me num ginásio perto de casa, e por lá estive até este último domingo.

Gorda como assim?


Normalmente é o que me perguntam quando digo que já tive excesso de peso à séria, depois mostro algumas fotos como a de cima e as pessoas ficam de boca aberta. Sempre tive muita vergonha de mostrar fotografias do meu eu antigo, aliás acho que tenho poucas porque rasguei a maioria, mas no final de Março uma pessoa que estudou comigo enviou-me estas fotos do tipo: olha nós super giras - e eu chorei por duas razões.

Falhar é Humano



Eu, Vânia Duarte assumo sem vergonhas que falhei. 
Falhei nesta coisa do ser saudável, falhei acima de tudo numa coisa que sempre defendi,  o equilíbrio e por tudo isto peço desculpa a mim mesma.

São várias as pessoas que sabem que mudei a minha vida em 2013, nunca foi um caminho linear é verdade mas aos poucos fui construindo uma coisa com pés e cabeça.  Ao contrário de muita gente, no meu caso o amor pelo treino cresceu mais facilmente do que o amor pela alimentação, ou melhor pela alimentação saudável, porque comer eu sempre gostei de o fazer ou não tivesse já eu tido 80 kilos. 

Treinar para mim nunca foi uma coisa que fiz por obrigação, apesar de alguns dias sentir preguiça acabava por ir e terminava sempre de sorriso na cara e muito feliz, já o comer apesar de me preocupar em levar uma boa alimentação e ter feito reeducação alimentar, sempre tive uma ligação muito emocional com a comida e bastava qualquer coisa me correr mal para afogar as mágoas em comida.