Vamos falar sobre overtrainning


Hoje vou falar-vos sobre uma das maiores problemáticas que existem actualmente no exercício físico, chama-se overtrainning e está cada vez a afectar mais pessoas. E porque é que vos falo disto? 
Porque eu própria já passei pelo mesmo.

Overtrainning tal como o nome indica é o excesso de exercício físico, e se ser sedentário não é bom para nós, fazer exercício em excesso é igualmente mau. Vou contar-vos sobre a minha experiência.

O ano passado em Janeiro de 2015 decidi participar numa prova, a survivors run (cheguei a partilhar isso aqui). Tinha vindo da Tailândia e do Camboja há pouco tempo, estive um mês sem treinar e decidi que ia participar nessa prova em Fevereiro, por isso precisava de me preparar.


Lembro-me que o primeiro treino que tive com o meu Pt neste pós ferias foi das coisas mais difíceis que fiz, não porque o treino fosse muito duro, mas porque depois de um mês sem treinar a minha resistência estava péssima. 

Comecei então a treinar intensamente e juntei-me a um grupo de treino funcional ao final do dia, quando já estavam uns 7 graus,  para me habituar a treinar com temperaturas baixas pois a prova ia ser em Sintra muito cedo.

Treinava todos os dias de manhã no ginásio cerca de 1h45, descansava só ao Domingo. Depois tinha os treinos com o grupo duas vezes por semana, e nos restantes dias quando chegava a casa fazia o plano da Kayla Itsines, ou seja treinava muito forte duas vezes por dia.

Fiz a prova, correu-me bastante bem e decidi não abrandar o ritmo, porque estava a ter resultados muito bons fisicamente e queria continuar a melhorar, mas como estava claramente em sobre carga de treinos, começaram a aparecer sintomas de que alguma coisa não estava bem.

Comecei por dormir mal. Eu que sempre dormi muito bem, tinha dificuldade em adormecer, durante a noite acordava imensas vezes e acordava muito cansada e sem energia. Sentia o corpo fraco e custava-me a sair da cama, depois comecei a perder o apetite, comia pouco mas continuava a treinar com a mesma intensidade. Até que chegou a uma altura em que deixei de progredir. Treinava cada vez mais e o meu corpo estava exactamente no mesmo sítio que no final de Fevereiro, continuava a comer pouco porque não tinha apetite, apertava mais nos treinos e nada mudava.

Depois vieram as dores extra no corpo e a dificuldade em recuperar dos treinos, sentia dores terríveis em todo o corpo e por isso comecei a perder a vontade de treinar, custava-me muito acordar às 06 da manhã para ir ao ginásio, passava o dia com pouca paciência e muita dificuldade em concentrar-me, sentia que me esquecia de muitas coisas e distraia-me muito facilmente, foi então aqui que percebi que alguma coisa não estava realmente bem.

Fui ao médico, fiz uma série de análises que foram muito claras, estava com um grande défice de vitaminas no corpo, e a médica disse-me que se eu não abrandasse o ritmo o próximo passo seria ficar sem menstruação.

Foi aí que realmente me assustei, portanto tive de abrandar. Comecei a tomar uma série de vitaminas para me ajudar a recuperar, estive uma semana completa sem treinar e depois ao regressar, reduzi os treinos bi diários para apenas um por dia, passei a treinar no máximo 1h, sem qualquer tipo de cardio. Passei a ter dois dias de descanso semanal, comecei a comer muito mais, e aos poucos o meu corpo voltou ao normal.

Desde aí aprendi verdadeiramente a respeitar o meu corpo. Eu treino bastante é verdade, hoje em dia as minhas sessões de treino duram normalmente 1h no máximo 1h15 e só ao Domingo quando tenho o treino de grupo é que costuma ser mais tempo, continuo com os dois dias de descanso alternados (quinta e sábado) e passei a ouvir o meu corpo, por isso se há um dia em que me sinto muito cansada, não vou treinar, mesmo que não calhe num dia de descanso.

Decidi falar-vos disto, porque com esta nova corrente de exercício físico, vejo tanta gente a fazer treinos enormes, a fazer 2 e 3 aulas de seguida, a treinar duas vezes por dia todos os dias, e infelizmente mais cedo ou mais tarde o corpo acaba por pagar os nossos disparates.

Há quem tenha medo de abrandar por poder vir a ficar fora de forma, mas a verdade é que o excesso de treino provoca um desgaste tão grande fisicamente e mentalmente que acaba por não nos trazer nada de bom. O corpo está cansado e não recupera, logo os músculos não desenvolvem e nós ficamos sempre com a sensação que nos “matamos” no ginásio e estamos sempre iguais.

Portanto oiçam o vosso corpo, o overtrainning é real e pode trazer-vos grandes complicações de saúde.

3 comentários :

  1. pois eu não treino tanto como tu nem mais ou menos.. mas juntamente com o meu trabalho por vezes ando de rastos... qdo estou mm cansada prefiro descansar pois tenho muito medo que algo como te aconteceu me aconteça.. um excelente post.. parabéns..

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    1. sim é mesmo importante ouvirmos o nosso corpo, porque se não estas coisas acontecem e a saúde deve estar sempre em primeiro lugar :) Obrigada

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  2. concordo completamente contigo! comecei a treinar desde o inicio do ano, sinto-me tão bem :) a seguir * beijinho, Sofia

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