Diz-me o que comes...


Na sexta-feira passada fui ao hospital de Urgência e por lá estive algumas horas, tempo suficiente para precisar de comer qualquer coisa.

A cafetaria do hospital fica situada no edifício das consultas, e como eu estava nas Urgências a única opção existente eram as máquinas automáticas de comida, dirigi-me até uma para comer alguma coisa e acho que fiquei ainda mais doente.

A oferta era muito diversificada é verdade. Dentro do mau e do muito mau havia uma diversidade brutal. Croissants e bolos, diversas batatas fritas, uma oferta tão grande de chocolates que me senti na Suíça,  muitas bolachas, refrigerantes, sandes de panado, de chouriço ou delícias do mar (continuo sem entender como alguém come delicias do mar), pão de cereais com chouriço, ou pasta de frango.


Era tudo tão mau que para perceberem, o melhor que consegui comer foi uma sandes de pão branco com queijo e fiambre (que no meio não sei porquê trazia chouriço e eu retirei) e um compal essencial de morango, tudo o resto deixou-me simplesmente chocada. Não havia uma única peça de fruta à venda, um simples pão integral com fiambre, nada de nada.

Em conversa com a minha mãe sobre este assunto, ela disse-me que se dá às pessoas o que elas querem, tudo é um negócio e se o que vende é aquilo, não vão mudar para arriscar perder vendas, mas eu sou da opinião que se a obesidade já é considerada uma das doenças desta época, as pessoas têm de ser educadas. Ok, as pessoas gostam de bolachas, batatas e croissants, mas e se lhes dermos mais opções de escolha? E se a legislação obrigasse que este tipo de máquinas tivesse um rácio de 50/50 em que uma parte seriam os típicos produtos de máquinas e na outra produtos mais saudáveis e verdadeiros? Será que não iria ter adesão, especialmente numa altura em que está tão na moda comer bem e ser fitness?

Eu sei porque é que não fazem isto, porque a verdade é que a manutenção seria muito maior, porque o prazo de validade de uma maçã é muito mais curto do que um pacote de bolachas ou de batatas fritas, porque é muito mais rentável ter uma máquina de produtos industrializados, do que uma que contenha produtos frescos, saudáveis e verdadeiros.

Custa-me ver crianças obesas, custa-me que a nossa sociedade se tenha transformado num gigante restaurante industrializado onde cada vez se inventam novas formas de inserir a palavra light, magro ou 0 calorias e está tudo ok. Custa-me que os produtos cheios de açúcar ou gorduras más, não sejam taxados de forma mais pesada e acima de tudo ter noção que apesar dos muitos avanços, a saúde de grande parte da população hoje em dia está muito pior do que há muitos anos atrás.

Eu já vi no Alegro de Alfragide máquinas com opções mais saudáveis, porque não alargar isto a mais locais, em especial nos hospitais que deveriam ser os primeiros a tentar controlar o tipo de oferta que disponibilizam a que está doente?

Para quem acha que é um pouco utópico, vejam este link, sobre máquinas automáticas que disponibilizam produtos saudáveis a preços bem acessíveis. 

12 comentários :

  1. Na minha faculdade tens uma máquina com opções mais aceitáveis (pão de cereais com queijo e fiambre ou bolachas integrais) mas mesmo no bar as opções saudáveis são difíceis além do pão escuro com queijo fresco, iogurte e fruta não há muito mais por onde escolher.

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    1. não tinha grande noção do tipo de oferta destas máquinas porque há anos que não usava, mas acho triste que numa altura destas não haja mais cuidado com o que se coloca à venda.

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  2. Tendo em consideração que é a máquina do hospital, tinham por dever ter mais atenção à oferta e oferecer opções mais saudáveis...

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    1. foi exactamente isso que pensei Joana .)

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  3. Também já pensei várias vezes nisso, tanto nos hospitais como nas escolas. Eu estudei numa Escola Superior de Saúde, que lecciona um curso de Dietética e Nutrição e acho inadmissível que as opções alimentares fossem "a máquina" e um bar todo decadente. Como é que é possível? Realmente tudo é visto como um negócio. Felizmente acho que ser saudável está cada vez mais na moda, mas ainda há um caminho enorme para percorrer!

    Another Lovely Blog!, http://letrad.blogspot.pt/

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    1. ui então se em locais tão básicos como hospitais e escolas de saúde a oferta é deste tipo, ainda há um longo caminho pela frente neste assunto até haver uma mudança :-(

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  4. Fico sempre chocada com o que a maioria das pessoas escolhe comer. Uma prova disso é que, quando digo que sou vegana, muita gente pergunta "mas o que é que comes??", porque não concebem que existe mais comida, e melhor, para além do bitoque e da bolachinha. Gostei muito do teu blog!


    Perdida em Combate

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    1. ah sim, o pessoal fica sempre meio confuso com as pessoas vegetarianas ou vegans, conheço muitos assim. muito obrigada pelo carinho :)

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  5. Muitas vezes (ou talvez sempre) são empresas externas que exploram essas máquinas e não o sítio onde a máquina está, isso também pode ter alguma influência. Mas se há autorização para pôr a máquina então devia (e deve) de haver uma negociação.
    O que é triste é que é tudo um círculo vicioso, os senhores do capitalismo é que manipulam a nossa vida em grande parte e dão-nos sempre o que mais lhes convém (alimentação, indústria farmacéutica etc). Cabe-nos a nós fazer o melhor que pudermos. Nesse caso não tinhas grande escolha, mas mesmo quando há escolha, quantos não são os que escolhem o pior?
    :) Estou para aqui a falar mas também não sou perfeita claro, só que já faço um esforço para comer melhor.

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    1. sim é verdade, mesmo nos supermercados se prestarmos atenção aos carrinhos de compras das pessoas, é mesmo de assustar, a maioria mesmo com boas opções acaba por ir para o mais fácil e depois queixam-se de doenças e gorduras e ba bla bla.

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  6. Também estive numas urgências de um hospital há 1 semana mais ou menos e fiz exactamente o mesmo comentário em relação à comida disponível nessas máquinas... É inacreditável! E na faculdade era exactamente a mesma coisa e também me fazia muita confusão.

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    1. ainda há um longo caminho a percorrer nesta temática, mas era mesmo bom se as coisas começassem a mudar devagarinho.

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