Dos textos que nos fazem sentido


Há dias em que estamos na internet e esbarramos com aqueles posts em que depois de ler dizemos: - caramba é tão isto.

Aconteceu-me isso esta semana, quando li este post que a Inês escreveu.
Já sigo o blogue há muito tempo e por conhecer a Inês há alguns anos (fora deste mundo) sei que a pessoa que escreveu isto pensa realmente assim, não só porque tem um background muito forte na área da moda mas essencialmente porque sempre teve o seu estilo pessoal muito vincado.

E a Inês entre tanta coisa acertada, foca um ponto essencial - o que dá para um não tem de dar para o outro. Somos pessoas diferentes, com personalidades e características tão pessoais que sempre me fez confusão as supostas listas de peças essenciais a ter num guarda-roupa, e acima de tudo ver meio mundo a acenar com a cabeça que tem mesmo de ter aquilo.

Um exemplo prático desse tipo de listas que vejo são os trench-coats, caramba se não há listinha seja de Inverno ou Verão que não espetem lá com o casaco e eu que já experimentei uma vez e fiquei a sentir-me uma velhinha, sempre achei que definitivamente a minha pessoa e aquele casaco não tínhamos nada a ver. A minha vida seguiu sem problema e portanto eu sou uma dessas pessoas pecaminosas, que não tem um trench-coat a apanhar pó no armário. 

A questão aqui não é dizer que nunca se irá usar algo, pois a vida muda, a nossa forma de ver a roupa também e o que agora nos parece mal, daqui a uns anos pode fazer todo o sentido, o que faz confusão é saber claramente que aquilo que nos aconselham não assenta minimamente na pessoa que somos naquele momento e mesmo assim se comprar, só porque dizem que aquilo é a última coca-cola do deserto. Não há mal nenhum em assumir que não nos identificamos com o que dizem estar na moda, mostra personalidade e conhecimento sobre nós próprios, mostra acima de tudo que temos uma palavra a dizer numa altura onde é tão fácil tornarmo-nos cópias uns dos outros.

Sinto que quando toca a moda e neste universo onde temos sempre tão fácil acesso a tudo, as pessoas ficam cegas, elegem os seus heróis e tornam-se clones daquilo que gostam de ver no outro, anulando-se a si próprias.

Pior do que isto, faz-me confusão que se façam listas, que se dite que é aquilo que todos devemos ter, tal como se fosse uma receita certeira para o sucesso. Associo este tipo de listas às constipações que costumamos ter no Inverno e alguém muito sabido nos aconselha medicamento x porque é espectacular e depois de alguns dias damos connosco no hospital com gripe à séria porque a coisa não resultou.

Enfim, não tenho por hábito falar destes assuntos, até porque não sou certamente a pessoa com mais estilo à face da terra, nem com conhecimentos para saber se aquele casaco está na moda ou não, mas quando li aquele texto de manhã, lembrei-me do raio do trench-coat e saiu-me um sentido:

Ámen Sister!

12 comentários :

  1. Opah, é que é mesmo isto! É como quando oiço alguém faz comentários do género "compraste isso, fizeste bem! Está na moda!". Há gente que ainda não percebeu que eu não compro as coisas só por estarem na moda, mas sim porque eu gosto, porque têm a ver comigo e por achar que me fica bem. Caso contrário, bem que podem estar na moda mas eu não chego nem perto. Não acho piada nenhuma a esta história toda de "maria-vá-com-as-outras". Portanto: Ámen Sister! Aleluia!

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    1. o que mais me agradou foi ver que no meio deste mundo que as vezes se trna tãooo aborrecido, há gente com bom conteudo a falar destes assuntos sem cair na ofensa.

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  2. Confesso que não gostava de moda. Sempre fui criticada por aquilo que vestia porque não era a última tendência. Gosto de um estilo clássico com um toque diferenciador.
    Gosto de saber o que se usa mas principalmente gosto da mentalidade atual de que a moda é o que fazemos dela, a nossa cara, a nossa personalidade.
    Porque não podia ser uma arte diferente sem nos deixarmos exprimir na totalidade.
    Não tenho imensas coisas consideradas básicas nas ditas listas mas não estou minimamente preocupada.

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    1. sei bem o que é ser criticada pelo que vestimos, quando era mais nova foi o pão nosso de cada dia porque como a minha mãe não tinha muito dinheiro as minhas roupas eram simples e sem marcas, um horror para muita gente mesquinha.

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  3. Se aplaudo o texto da Inês, ainda aplaudo mais o teu. Muito bem escrito Vânia! :)

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  4. Há coisas que são claro mau gosto... mas, de resto, cada um decide a sua vida!!

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  5. O que eu acho é que devias escrever mais sobre estes assuntos, porque como sabes tenho a mesma opinião. Conhecendo bem a Inês como conheço, e principalmente (tal como tu referes), fora deste mundo, sei que ela é viciada em moda e beleza, mas que é daquelas pessoas que tem cabeça e não fala das coisas só porque sim. Além de ter formação na área, não nos espeta apenas com imagens dos últimos desfiles, mas também é capaz de escrever textos como este. As pessoas hoje em dia usam tudo o que é suposto e nem se apercebem que assim nunca vão ter um estilo próprio, tornando-se apenas em simples bonecos, todas de igual.

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  6. obrigada vânia! :) até fiquei emocionada com este texto! obrigada, obrigada, um grande beijinho com saudades*

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    1. não tens de agradecer, foi totalmente sincero:-) beijinhos grandes

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  7. Concordo tanto com este texto :) apesar de gostar de ter alguns básicos no armário, são os básicos que se adequam a mim, não todos os que as listas recomendam! E muito menos sou de ir com as modas todas, não porque elas têm o seu tempo (porque quando gostas das coisas, não importa assim tanto se está já um bocadinho demode), mas porque há muitas coisas que não ficam bem a toda a gente, mas que toda a gente insiste em usar. Ainda assim, não há nada que eu goste mais de ver que uma mulher confiante, cheia de estilo, independentemente do tipo de corpo ou de ser magrinha ou gordinha. Isso sim, dá-me verdadeiramente prazer. E muitas vezes, nem um básico se avista ali :)

    Beijinhos,
    Catarina.

    http://day-dreamer.blogs.sapo.pt/

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