15 de Setembro











Sou apartidária. Sempre fui porque nunca acreditei em qualquer tipo de promessas de nenhum partido, portanto sempre que voto acaba por ser em branco. Li vários comentários e textos que diziam que por trás desta grande manifestação estavam partidos de esquerda, sinceramente se estavam ou não pouco me interessa, porque ontem estive lá POR MIM.

Tenho 27 anos e pertenço à geração recibos verdes, dos estágios curriculares onde se paga para trabalhar e das falsas promessas. Pertenço sobretudo a uma geração que não tem futuro neste pais.

Já fiz algumas coisas na minha vida, algumas delas fora da minha área de formação, a verdade é que nunca tive medo de trabalhar, mas neste momento o conceito de trabalho há muito que se perdeu, tal como o respeito pelos que mais precisam.

Não posso aceitar que se continue a achar que se vive com um ordenado mínimo de 485€, nem posso concordar que se mantenham pessoas a recibos verdes durante anos, pessoas essas que trabalham tanto ou mais que os da casa e vão ser obrigados a descontar 31% para a segurança social no próximo ano. Ou mesmo os contratados que vão ter a sua taxa de contribuição aumentada em 7 pontos.

Não tenho uma mãe com dinheiro, desde pequena tive que aprender o real valor das coisas e talvez por isso é que apesar das dificuldades aos 27 anos consiga ter a minha casa. Se é fácil? Claro que não, há muitas contas a fazer, há que esticar até não dar mais, há sobretudo que estabelecer prioridades e ser criativo mas para mim viver à conta da minha mãe com esta idade nunca foi uma opção. Como é que consigo? Sinceramente muitas vezes pergunto-me o mesmo.

A grande questão aqui é que o país está a cair aos poucos, os sacrifícios que nos pedem já não são exequíveis, já não se vive com dignidade, e mesmo quem tente manter a cabeça fora de água, gerindo a vida para ser independente começa a chegar a uma altura em que o cansaço dá de si e vamos abaixo.

E é por tudo isto que ontem estive lá. Por mim e pelos meus. Por uma avó que já não está cá mas que viveu com uma mísera reforma. Por outros meus que não se podem manifestar porque podem sofrer consequências. Pelos muitos jovens que já foram obrigados a sair daqui quando não queriam e sobretudo POR MIM, porque tenho sonhos num pais com um futuro tão podre.

8 comentários :

  1. O pais precisa de um pulso firme que evolucione isto tudo, mas sinceramente não vejo ninguém com perfil para isso na politica

    ResponderEliminar
  2. Grande texto! Que todos os blogues dissessem coisas tão inteligentes como li aqui.

    ResponderEliminar
  3. Também já ouvi dizer isso e acho uma grande estupidez. Então quem for de direita é tapadinho? Nao tem a capacidade de reconhecer quando o partido em que possivelmente votou ou que partilha das mesmas ideologias erra? Francamente, não é tudo preto no branco, mas há pessoas que gostam de dar desculpas para tudo. Eu não estive lá mas para mim aquela foi uma manifestação do povo português, das pessoas, não de partido x ou y. Beijinhos e bom Domingo :)

    ResponderEliminar
  4. O povo uniu-se. Espero que dê algum resultado. Por todos.

    ResponderEliminar
  5. Obrigado pelos teus que não puderam lá estar fisicamente, mas tenho a certeza que vos acompanharam em espírito. Porque o que está em causa é o futuro deste país de mais de 8 séculos de história! É a luta dos jovens e de todos os que vêem degradar-se o seu sustento! Sim, senhores políticos que nos governam há 38 anos: quando se corta o futuro aos jovens de um país, é a viabilidade desse mesmo país, enquanto tal, que está perigosamente em causa! Tenham isso em mente!

    ResponderEliminar
  6. Infelizmente não estive presente mas arrependo-me bastante. Por mim largava tudo o que tinha a fazer neste dia e ia para lá! Não podia concordar mais com as tuas palavras. Estou com 21 anos, um curso inacabado e pretendo trabalhar no estrangeiro... isto porque vejo e revejo-me com 25 anos ainda a tirar um curso e a viver sobre alçada dos meus pais e se há coisa que não quero é isso mesmo. Vou trabalhar durante um curto intervalo de tempo, ganhar o meu para conseguir sustento. Irei tirar o meu curso (cada coisa a seu tempo) e depois quem sabe não voltarei para cá... mas a vontadinha neste momento é mínima o que me prende aqui realmente ainda é a família. Se viessem comigo podes apostar que nunca mais ponha aqui os pés. Adoro o meu país, tem coisas magnificas... apenas não gosto de quem nos governa. Eu sou como tu, nunca votei em nenhum partido (voto em branco isto é), sempre me abstive desse acto precisamente para demonstrar a minha resignação... mas ainda assim são muito burros para não entender o descontentamento de Portugal. A meu ver fazia falta um novo 25 de Abril! Se fazia...

    ResponderEliminar
  7. Nada mais há a dizer, é isto mesmo!

    ResponderEliminar